quinta-feira, 17 de abril de 2014
As eternas vantagens do desconhecido.
Quando eu tinha 9 anos e estava na terceira série gostava de um menino da quinta série que se chamava Fabricio, eu nunca tinha dado nem oi pra Fabricio e nem sequer lembro de como eu descobri a existência dele, mas, estava assumidamente apaixonada por ele e pronta para defendê-lo, mesmo não sabendo o que dizer daquele menino que eu sabia com toda a certeza que era bonito e.. bonito... e também bonito... e enfim, bonito. Além de ter um menino por quem eu era apaixonada eu também tinha uma melhor amiga na sala de aula (porque isso era obrigatório pra ser uma pessoa completa, ter um "cara pra paquerar" e uma melhor amiga, SEMPRE), em uma conversa casual de quem não aguentava mais a matéria e tava nem aí pra professora nós descobrimos que nós duas gostávamos do mesmo Fabricio, ali eu até achei que ia rolar uma briga, um "ele é meu, piranha", mas como a inocência e a esperteza de uma criança é mais pura e linda do que as tramas das novelas mexicanas que eu assistia, minha amiga me disse "quer seguir ele no recreio comigo?" e foi assim que nós começamos a caçar o Fabricio. Dava o sinal pro recreio, nós dávamos os braços e esperávamos ele passar, aí saíamos andando (sempre cuidando pra sair com o mesmo pé, claro, pra caminhada ter mais presença) e onde ele ele ia, a gente ia, no ritmo que ele ia, fazendo o mesmo caminho que ele fazia, olhando as coisas que ele olhava, dando risada do que ele dava, parando onde ele parava, menos virando pra trás quando ele virava, isso nunca! Nesse caso a gente se abaixava em uma tentativa de se "esconder" e ele não perceber que a gente tava ali o tempo todo efetuada com sucesso... "aham". Eu escrevia cartas encharcadas de perfume pro Fabricio, escrevia o nome dele nos meus diários e anotava toda nova informação que a gente descobria sobre ele (ou que a gente deduzia, porque da boca do Fabricio a gente nunca ouviu sair nada, pra nossa infelicidade eterna), acabou que no ano seguinte eu me mudei pro outro canto da cidade, mudei de escola, perdi o contato com aquela melhor amiga e nunca mais vi o Fabricio, todas aquelas cartas se perderam e hoje em dia eu mal lembro do rosto que eu persegui meses e meses pelo pátio do colégio... Mesmo assim, eu nunca me esqueci e nunca vou me esquecer do Fabricio, sabem porque? Porque ele foi o único homem lindo que não me fez sofrer. Valeu Fabricio!!!!!!!!!!! (Sabe-se lá se esse era mesmo o teu nome..)
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